segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Amáveis moças da pele de basalto

O dilaceramento acompanhado da dor.
A separação que dói. Sentida na pele. Por causa da pele.
Qual leite é mais branco? Qual sangue é menos vermelho?
Amáveis moças da pele de basalto, porque choram?
Pela luta? Pela dor? Pela vida?
Onde é que estão, vós, brancos das mãos manchadas de sangue negro?
Mostrem a vossa cara.
Amáveis moças da pela de basalto, não se desesperem.
A dor passa. A vida amanhece. A manhã sorri.
A mãe que vos pariu chora de saudade. A mãe do homem novo.
Mãe África, que chora pelas amáveis moças da pele de basalto.
Qual sorriso é mais puro? O do preto? O do branco?
Porque não sorriem, amáveis moças da pele de basalto? Sorri dói?
Qual peito que mata a fome do miúdo é o sorriso que mata a desigualdade.
Que foi feito da tua cabeleira crespa? Digam-me, amáveis moças da pele de basalto.
Roubaram de ti o teu orgulho? A tua beleza?
Não permitam, amáveis moças da pele de basalto. Não deixem que te levem nada!
Qual é a tua dor? Diz-me.
Menina bonita, dos olhos de jabuticaba, não chore.
Tu és negra, tu és linda!
Sorriam, amáveis moças da pele de basalto.
Vós sois negras, livres, lindas, negras!
Minha pele é branca, mas nasceu de ti, amável mãe da pele de basalto!


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