segunda-feira, 30 de setembro de 2013

"Lamento Sertanejo."

Quando no sertão parecia já não haver mais saída, 
ele tomava o caminho poeirento e rumava para a cidade grande. 
A seca castigava, a fome doía, mas havia fé... 
Nem o xique xique podia matar a sede... 
Só restava um rosário velho e um brilho nos olhos!
O coração doía mas a partida era necessária. 
Deixava saudade, levava apenas um sonho. Sobreviver. 
Na cidade, o coração doía. Chamava pelo sertão. 
Humilhado, derrotado, triste, o peito chegava a chorar. 
O canto da asa branca era como anunciação... era sinal que a chuva estava chegando!!
E como uma planta, a esperança renascia junto com a chuva. 
E sentindo a chuva, o sertanejo, outrora desertado, regressa para o seu sertão. 
Com o coração cheio de esperança e fé! 
Nos lábios uma oração pedindo ao menino Jesus, que a cheia dure e que a safra seja farta!! 
E quando chega ele encontra a terra esperando-o. 
Um abraço de mãe um cheiro na mulher... é assim que ele chega. 
E vendo o sol arder, e escutando o inhambu cantando ele reza e 
agradece a Deus por ser um sertanejo pobre, mas corajoso e cheio de fé.


Texto escrito por mim baseado no livro de Ariano Suassuna "O auto da Compadecida". Nunca fui ao sertão mas é incrível como a obra de Ariano toca a gente, nos faz sentir cada detalhe!! Apaixonado, mais ainda, pelos nossos "Brasi's" e pela nossa literatura!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Francisco

Francisco, Francisco...
O santo, o menino, o rio, o velho, Francisco.
Carregas em teu corpo a história e a lágrima do meu povo.
Francisco, rogai por nós que somos pobres, de alma e de amor.
Olhai pelo povo que brota do chão seco e é regado pela esperança.
Rogai pelo meu povo sertanejo, calejado, rogai por nós Francisco.
Se tu podes ver o Pai Eterno, peço-te um favor:
Relembre Ele que aqui tem um povo que sofre, que geme, que canta,
que ama, que reza e que espera a boa hora do Redentor!
Francisco, protegei-nos das agruras do caminho, das pedras duras dessas terras secas.
Francisco, ô menino, sê nosso menino. Chico, o velho, traz esperança ao meu povo.
Chico, menino Chico, rindo nas várzeas trazendo a fartura das sementes.
Francisco, meu Chico, tu que foste tema de canções e poemas, que levas contigo
nome de santo, traz paz à essa gente morena.
Purifica a nossa alma e leva contigo tudo o que não é para guardar no coração!
Francisco, Francisco, Francisco.