Quando eu for velho (e um dia sei que serei) e não poder lutar mais por causa alguma,peço que cubram-me de citações e, pelo menos, me usem
como bandeira (pelo legado que terei deixado)!
Quando eu for velho e minha voz já estiver cansada, peço que ajudem-me
a cantarolar a minha canção preferida (e eu lembrarei de toda a letra)!
Quando for velho e já ouvir pouco peço que me cantem um poema de Bituca... E sei também que minha visão já estará frágil, então peço que leiam pra mim um verso de Neruda!
Quando eu for velho e o contentamento dos meus dias de mocidade
estiver refletido em meus olhos (e estarão), peço que façam-me um retrato,
para que todo mundo possa ver que um dia eu fui feliz (e eu o terei sido) e
que os sonhos jamais envelhecem!
Quando eu for velho e, não tiver mais forças, para caminhar sozinho,
peço que me levem para colocar os pés junto ao mar...
Quero sentir, nem que seja pela última vez a liberdade, nem que seja em meus pés!
Peço também que me permitam ficar sozinho (sozinho mesmo) em uma montanha, nem que seja só por uns instantes, para que eu possa sentir-me próximo da mãe terra e deixando meu espírito voar (e ele o fará)!
Quando eu for velho e já tiver quase pela última hora, quero que me façam um favor, o último!
Me levem para minha casa de campo (que com muito suor a terei construído) e me coloquem sentado na varanda, naquela cadeira de balanço (que eu terei comprado e deixado ali)! Aquela de bambu e palha!
Irei ficar sob a luz do sol, em um final de tarde cinza de outono respirando um pouco de ar puro...
Até poder, em paz, partir em silêncio!
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